Polícia

Câmera usada por PM que atirou em mulher no Jacintinho será periciada pela Polícia Civil

Equipamento que pertencia ao policial foi apreendido e, segundo a investigação, teria sido desligado antes do disparo que matou Amanda Ruanne

Por Tribuna Hoje com agências 08/09/2026 12h53 - Atualizado em 08/09/2026 14h17
Câmera usada por PM que atirou em mulher no Jacintinho será periciada pela Polícia Civil
Amanda Rhuanny Lopes da Silva morreu durante abordagem policial no Jacintinho - Foto: Reprodução

A câmera corporal usada pelo policial militar que efetuou o disparo que matou Amanda Ruanne Lopes da Silva, de 32 anos, na Grota do Cigano, no Jacintinho, em Maceió, foi apreendida pela Polícia Civil de Alagoas. O equipamento deverá passar por perícia para auxiliar na investigação sobre a ocorrência registrada no último sábado (5).

Segundo a Diretoria de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco), a polícia recebeu a informação de que o militar utilizava uma câmera presa ao colete e que o dispositivo teria sido desligado antes do disparo que atingiu Amanda no peito.

O delegado Igor Diego, responsável pelo caso, afirmou que o equipamento foi localizado durante a ocorrência e recolhido para análise. Conforme o investigador, a câmera pertence ao próprio policial e não foi fornecida pela Polícia Militar ou pelo Governo de Alagoas.

Ainda de acordo com o delegado, a equipe não conseguiu obter imagens do momento do disparo a partir do dispositivo. Por isso, os investigadores também estão em busca de gravações feitas por câmeras de segurança instaladas nas proximidades do local onde Amanda foi baleada.

PM já responde a processo por tentativa de homicídio


Além da análise das circunstâncias da morte de Amanda, a Polícia Civil também apura o histórico do militar envolvido no disparo.

A promotora Karla Padilha, que acompanha o caso, informou nesta terça-feira (8) que o policial já responde a um processo por tentativa de homicídio. Segundo ela, a denúncia do Ministério Público é referente a um episódio ocorrido em 2024.

A promotora também afirmou que, mesmo respondendo ao processo e cumprindo medidas restritivas determinadas pela Justiça, o militar continuava exercendo atividades ostensivas na região do Jacintinho.

A Polícia Civil informou que também está levantando informações sobre o histórico do policial e da vítima para esclarecer todos os aspectos relacionados ao caso.

Segurança Pública apresenta versão sobre ocorrência


De acordo com a Secretaria de Estado da Segurança Pública de Alagoas (SSP), equipes do 13º Batalhão da Polícia Militar realizavam uma abordagem na região quando encontraram um homem que estaria com drogas. O suspeito seria primo de Amanda.

Conforme a versão apresentada pela SSP, enquanto alguns policiais permaneceram com o homem abordado, outro militar ficou próximo à viatura. Nesse momento, um grupo de mulheres teria avançado em direção ao agente.

Ainda segundo a secretaria, o policial teria efetuado o disparo após afirmar ter se sentido ameaçado. O tiro atingiu Amanda.

A mulher foi socorrida e levada para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Dr. Ismar Gatto, no Jacintinho, mas não resistiu aos ferimentos. Amanda tinha 32 anos e deixou dois filhos.

A investigação continua para esclarecer as circunstâncias do disparo e determinar as responsabilidades pelo ocorrido.